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Rafael Santos

Reflexão sobre as classes

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Qualificar a data o 19 de março como especial seria pouco, sobretudo para nós cearenses, pois confraternizarmos e festejamos hoje o padroeiro do estado, São José operário que para o sertanejo tem no simbolismo da fé a esperança da chuva e para o homem da cidade o clamor do emprego.

Neste dia é oportuno lembrar das lutas operarias que nortearam boa parte das forças das massas, em especial no processo de desenvolvimento quase sempre pautado pelo econômico. A classe operaria assumiu uma simbólica postura na sociedade civil. Ao fazer uma leitura simples desta postura podemos observar que seus movimentos quase sempre nos lembram a luta pela ruptura dos antagonismos das classes, a chegada ao poder, bem como a constituição dos partidos políticos.

Aqui no Brasil, esta associação se deu de forma muito mística, dado que o avanço da classe se deu, sob certa medida, nos porões da igreja católica. Ali nasceu o Partido dos Trabalhadores – PT, que durante muito tempo representou assumiu sozinho um papel importantíssimo no processo das lutas. O surgimento deste partido foi importante para afirmar a ruptura com o braço industrial da época, uma pena que os sindicatos não conseguiram dar seguimento a este processo, quando o partido teve que assumir o poder, cuja ação, por ser política é limitada

O filosofo Polonês Ménsáros (2000) expõe categoricamente a condição do desenvolvimento sindical num determinado centro quando afirma que o grau de maturidade da formação de um sindicato determina claramente a posição e a maturidade de um povo em relação às propostas do capital hegemônico. E ele tem razão, pois, sob certa medida, a divisão do trabalho implica na divisão imediata de suas condições, objeto primeiro na pauta de qualquer sindicato que não se curva ao poder político em voga.

Pois bem, a problemática de hoje neste processo de construção das lutas passa justamente pela estigmatização do trabalho produtivo ou um trabalhador emancipado. Discutir isso, ao que parece não faz sentido na sociedade pós-moderna possuidora de um pragmatismo condensado e organizado na geração de capital, sem antes discutir a divisão interna do trabalho, ou seja, sua escassez frete ao desenvolvimento tecnológico patrocinado pelo avanço do capital.

Assim, estas questões levantadas acima é reflexo de varias rupturas, a principal delas passa exatamente na critica de que os sindicatos hoje estão cada vez mais pelegos e não cumprem seu papel na sociedade que enfrenta serias divisões de trabalho. Se é verdade que não tem trabalho para todos, é mais verdade ainda que os sindicatos, a classe operaria, a igreja, enfim a sociedade civil organizada, tem se furtado do debate mais eminente da questão.

É preciso resgatar estes valores de forma a favorecer as bases acesso aos meios de rupturas com o sistema hegemônico do capital. A igreja, que já demonstrou ser fundamental neste processo, deve trazer para seus altares esta discussão, pois nossos ídolos se não morreram, estão em coma, nossa ideologia esta sufragada pela maquina e nossa esperança se não estar na fé, não pode refletir uma política de emancipação de classe. É preciso acreditar que é possível uma mudança significativa da continuidade e não apenas uma mudança pela mudança. É preciso levar novamente nossas instituições trabalhadoras as ruas e discutir de forma clara e consistente nossos problemas de trabalho.

É preciso irmos a luta novamente!!!
Rafael Santos: É professor de administração e pesquisador social. Mestrando em Administração, é bolsista do CNPQ/SENAI e participa de Grupos de Estudos na UNIFOR e UECE.
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