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Luiz Henrique Abraão

Pragmatismo: uma via de mão dupla no Brasil

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A pré-campanha eleitoral é um importante período para analisarmos o comportamento dos postulantes a cargos públicos eletivos. Embora a legislação não permita a estes pré-candidatos se autodeclararem aspirantes a mandatos políticos, há todo um movimento de gestos e palavras que nos mostram o contrário do que a lei prevê. Entra em cena o pragmatismo político, onde tudo vale para conquistar a simpatia e os votos do eleitorado, que por sua vez utiliza-se do momento para barganhar com os políticos. Em troca de favores, a sociedade doa o seu bem mais valioso, o direito de votar, a políticos irresponsáveis e sedentos de poder.Deste modo, o pragmatismo no Brasil é produzido e sentido tanto pelos agentes e aspirantes do poder quanto pela sociedade. Uma via de mão dupla.

Ao longo desses meses que antecedem a campanha eleitoral, são comuns as alianças entre partidos políticos para formação de bases de apoio aos candidatos, o que é um movimento comum em todo período pré-eleitoral, mas o condenável é a forma como se estabelece essas coligações.Orientados pelo efeito prático, na hora de formalizar essa rede de apoios, os partidos mais se preocupam em extrair vantagens, como obter maior tempo de propaganda eleitoral no rádio e TV, e menos atentos às tendências, às bandeiras ideológicas de cada agremiação política. Isso explica a união do PV com o PSDB no Estado do Rio de Janeiro. É estranho, não? Bem, mas para por aí. Os pré-candidatos à presidência da República e os congressistas que buscam a reeleição estão sempre driblando a lei e sendo notícia nos jornais por mal-comportamento eleitoral. Para citar alguns exemplos, Dilma transformou o horário gratuito partidário do PT de dezembro de 2009 em um verdadeiro palanque eleitoral, o que configurou em propaganda política antecipada. Mas as estripulias não se resumem só aos pretendentes à sucessão de Lula, necessitados em agradar os eleitores para conquistar votos, os senadores e deputados federais da oposição e situação que buscam se reeleger aprovaram o aumento salarial dos aposentados do INSS em 7.7% e ainda aprovaram o fim o fator previdenciário. Essas duas medidas representarão um rombo de R$ 5 bilhões por ano nos cofres públicos. Não é que os aposentados não mereçam ganhar mais, visto que o que ganham é lamentável, mas a forma irresponsável como os políticos estabeleceram a votação do valor do reajuste salarial implicando um desequilíbrio nas contas públicas, que não é aceito.

Embora o terreno político seja ,por excelência, identificado pelo pragmatismo, a sociedade possui também um comportamento orientado pelo efeito prático das idéias e ações. O comportamento da sociedade se altera em na eleitoral. Em busca de conquistar direitos muitas vezes negados e benefícios emergenciais, aproveitando o momento em que políticos estão em busca de eleitores, a sociedade pressiona e troca seu poder de voto por favores dados por aqueles que se encontram desmantelando a função do poder público.

O processo eleitoral em si é saudável para toda e qualquer democracia. Mas o que adianta um processo eleitoral cheio de vícios e de práticas irregulares por parte de pessoas “espertas” em angariar benefícios particulares e, às vezes, partidários? Resposta simples: uma sociedade com os mesmos vícios e atitudes orientadas por oportunismos.
Luiz Henrique Abraão: Mora no bairro Ellery e é estudante do curso de ciências sociais da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
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